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segunda-feira, 25 de julho de 2011

01-Os precursores do ônibus(1830-1910)

Foi somente no início do século 19, que o homem começou a "viajar" no sentido moderno. Além das tribos errantes e nômades que surgiram com as guerras, cruzadas, fome e peste, viagens até aquela época haviam sido reservadas a uns poucos privilegiados. Nos séculos mais antigos, comerciantes e exploradores eram virtualmente os únicos indivíduos a se aventurar além de suas fronteiras nativas durante o curso de suas vidas

Foi somente no início do século 19, que o homem começou a “viajar” no sentido moderno. Além das tribos errantes e nômades que surgiram com as guerras, cruzadas, fome e peste, viagens até aquela época haviam sido reservadas a uns poucos privilegiados. Nos séculos mais antigos, comerciantes e exploradores eram virtualmente os únicos indivíduos a se aventurar além de suas fronteiras nativas durante o curso de suas vidas.

Hoje em dia, em contraste, entramos numa era, na qual viajar tornou-se popular, tanto a nível local como global. Entretanto, viajar tem-se desenvolvido diferentemente em diversas partes do mundo. Neste artigo examinaremos o crescimento do transporte de passageiros pela estrada até a extensiva rede de transportes de ônibus de hoje em dia. Nas nações européias desenvolvidas, foi estabelecido um serviço postal durante o século 17, sendo usadas carruagens puxadas a cavalos (normalmente a parelhas) para esta finalidade. Além do correio, as carruagens levavam alguns passageiros e uma pequena quantidade de bagagem, cobrindo longas distâncias em estradas que eram praticamente intransitáveis, especialmente com tempo ruim.

Naqueles dias viajar (em particular quando se tratava de longas viagens de carruagem), não era um empreendimento fácil. Viagens desta natureza podiam durar diversos dias, com paradas pernoite em estalagens ao longo do caminho, enquanto ladrões e animais selvagens estavam entre os perigos que espreitavam o viajante. Foi por estas razões que viajar não se tornou popular no tempo das carruagens.

Veio então a industrialização, uma evolução que se iniciou na Inglaterra na metade do século 18. A sociedade passou por modificações radicais, com diversos fatores interagindo e se combinando para formar o que hoje é conhecido como o “setor de transporte”. Entrementes, o crescimento da mecanização nas fábricas acenou para o princípio do fim do viajante profissional, que viajava às cidades e aldeias, oferecendo o seu trabalho.

Um ônibus a vapor de 1898 com um motor a vapor para 10cv montado na dianteira e uma caldeira operada por um bombeiro na traseira. O veículo foi projetado na França por A. Bolée
Tilbury
Um dos meios de transporte muito usado em nossas cidades foi o tilbury. Dizem que foi inventado por um segeiro inglês de nome Gregor Tilbury, por volta de 1818.




Londres foi a Paris, de onde veio ao Rio, como se vê nesta notícia do Jornal do Comércio de 10 de outubro de 1846:

Em 12 do mês corrente, estarão à disposição do público alguns carrinhos chamados
“tilburies”, os quais as 7 horas da manhã até as 11 da noite e mesmo até mais tarde,
estacionarão próximo à Praça do Comércio ou cais Pharoux e acham-se também nas
nas saídas de todos os teatros quando neles haja espetáculos. Os ditos tilburies
transitarão no interior desta Capital até o Rócio Pequeno, Largo do Valdetano, cais da
Imperatriz e chafariz do Catumby, ao preço de 1$000 por cada uma hora, além de
gorjeta que nunca será menor que 100 réis, também por cada hora. E quando passem
também dos pontos indicados não regressando a pessoa transportada para a cidade,
será o preço dobrado. A primeira hora de serviço será cobrada por inteiro, embora não
concluída; passada esta, cada fração de hora será contada por meia hora, e passada
meia hora se reputará hora inteira. De noite haverá uma pequena alteração nos preços,
conforme o tempo, à deliberação do administrador.

O tilbury era um veículo de duas rodas, puxado por um animal e provido de dois lugares e capota. Só comportava um passageiro, ao lado do cocheiro, e pequena bagagem no piso. Foi muito usado durante quase um século, pois na década de 30 do século XX ainda se via um ou outro desses veículos em cidades.
Comenta o mesmo Jornal do Comércio, do dia 13 de outubro de 1846, sobre o novo veículo:

Os meios de condução aumentam rapidamente nesta nossa boa cidade do Rio de
Janeiro. Já tínhamos ônibus para todos os arrabaldes da corte, vieram depois as
gôndolas percorrer as linhas da Glória e da cidade nova e, ontem, surgiram os
tilburies, ou carrinhos de duas rodas, puxados por um animal, que estacionam na Rua
Direita, junto à igreja da Cruz, e que por 1$000 a hora, correm toda a cidade e
arrabaldes.
Os novos tilburies são muito asseados e cômodos. Os cocheiros que os governam,
sentados ao lado dos passageiros, vestem-se com muita decência. A empresa é
proveitosa para o público e por isso fazemos voto pela sua prosperidade.

Em 13 de julho de 1849, o governo concede a A. Rohe, privilegio para fabricar carruagens, e em 11 de junho de 1853 aparece a primeira lei, organizando o serviço de viação e conferindo à polícia o direito de marcar os pontos de estacionamento de veículos e exigindo a prova de habilitação para o cocheiro.
Em São Paulo, o tilbury só aparece em agosto de 1865, por iniciativa de um cidadão italiano chamado Donato Severino, que publica nos jornais um anúncio. O preço cobrado era o mesmo do Rio de Janeiro, ou seja, 1$000 a hora.


Carros Rippert

No relatório para 1902 do intendente senador Antônio José de Lemos, do município de Belém, PA, consta o seguinte:

Carros Rippert – A lei do poder legislativo municipal de 24 de setembro de 1898, sob
número 208, concedeu a Silvestre Joaquim Dias, ou à empresa que estabelecesse, per-
missão por 10 anos, para explorar por meio de linhas regulares, nesta cidade e su-
búrbios, os carros denominados “Rippert”. Firmou-se o respectivo contrato em 18 de
janeiro de 1899. O serviço começou poucos meses depois. Não soube, porém, a empresa
formada pelo concessionário organiza-la de modo prático, tanto pela inferioridade dos
veículos como pela irregularidade do horário. Foi absolutamente negativo o resultado
da tentativa de tão efêmera duração. Alguns meses depois, era interrompido o tráfego e
seus carros e animais vendidos a baixo preço.

Esses carros Rippert eram construídos pelo marselhês A. Rippert. Os veículos tinham uma caixa central e duas plataformas com tejadilho, resguardadas por pára-lamas em todo o comprimento do carro. Com dois assentos na parte central ou também nas laterais, os carros poderiam ser abertos ou fechados, possuindo também bancos corridos nas plataformas, podendo levar até 25 pessoas.
Luiz Edmundo nos dá uma triste idéia dos transportes coletivos no Rio de Janeiro no fim do século passado:

Cidade de distâncias enormes e de raríssimas carruagens. O muito rico possui um
coupê de passeio, lustroso como um cromo ou então uma vitória, uma caleça ou um
landau,com seus cocheiros bem uniformizados.
Os carros de praça são pobres, contados a dedo e custam umas verdadeiras fortunas
por hora ou por corrida. Há os tilburies, espécie de cabriolé de um só lugar, puxado
por um magríssimo cavalo de medíocre estampa, arrepiado e sujote. Traz sempre uma
capota imunda de poeira, completamente descida e incômoda, com assentos de couro
sovado a mostrar em seus inúmeros rasgões, as crinas ou palhas dos apodrecidos
recheios.

Tipos de carruagens

Para particulares e mesmo algumas para aluguel, tivemos vários tipos de carruagens, como descrito a seguir:

Banguê. Espécie de liteira rasa, com teto e cortinas de couro, carregada por dois animais, um adiante, outro atrás, dentro dos varais.

Berlinda. O nome vem da cidade de Berlim, onde foi fabricada a primeira carruagem desse gênero, no século XVII, sobre desenhos de Phillipe Chiese, arquiteto de Frederico Guilherme.Era uma carruagem suspensa, de dois fundos e quatro rodas, coberta com uma capota móvel guarnecida de espelhos, que se podia levantar e abaixar à vontade. Foi uma das primeiras carruagens a chegar no Brasil, pois veio com a comitiva de D. João VI em 1808.

Break. Carruagem de quatro rodas, com um assento muito alto na frente e outros assentos ao comprimento. Distinguem-se o break-phaeton e o break-ônibus, que diferem entre si pelas dimensões e pelo número de lugares que trazem, variando de 4 a 8.

Cab Inglês. Abreviatura de Cabriolet. Espécie de cabriolet de duas rodas, de invenção inglesa, no qual o cocheiro ocupa um assento elevado, colocado atrás. Em 30 de maio de 1850, Guilherme de Suckow obtém privilégio para a introdução dos cabs no Rio de Janeiro. Não foram bem recebidos pelo público carioca e pouco tempo estiveram em moda.

Cabriolé. Carro ligeiro de duas ou quatro rodas para ser puxado por um só cavalo, com capota móvel.

Caleça. Sege própria para viagens.

Celerífero ( do latim celer, mais rápido, e ferre, levar). Espécie de carruagem pública muito ligeira, mais rápida que as outras. Esse nome, primitivamente (1690), foi dado por Sivrac à primeira bicicleta, na qual o ciclista montava e seguia batendo alternadamente com um pé e outro no chão.

Cupê. Nome que vem do francês coupê (cortado) pois é um landau cortado ao meio.Carro fechado de quatro rodas e ordinariamente de dois lugares, de que existia um grande número de modelos. Pouco menor que a berlinda.

Dorsay (do conde d’Orsay). Espécie de carruagem de moda inglesa.

Estufa. Coche de dois assentos, envidraçado, de grandes dimensões, para viagens, podendo carregar até seis pessoas.

Estufim. Pequeno coche, de dois assentos e envidraçado.

Faeton (do grego phaeton). Faetone foi um filho de Apolo, ao qual este, para atender aos seus rogos, um dia lhe confiou o carro do sol. É uma carruagem descoberta de quatro rodas e de construção leve, com dois assentos paralelos para quatro pessoas.

Jardineira. Grande carro, destinado ao transporte de muitas pessoas, em seus bancos paralelos, dispostos em diferentes níveis.

Landau. (Landau é cidade da Baviera onde se fabrica toda espécie de carruagens). Carruagem suspensa de quatro rodas e capota dupla, que se pode baixar ou levantar.

Liteira. Cadeirinha portátil, coberta e fechada, sustentada por meio de dois varais compridos que assentam sobre dois animais, colocados um adiante do outro atrás. É de origem oriental. Era semelhante à serpentina ou cadeirinha.

Palanquim. Rede suspensa em um varal, por duas pontas, e na qual vai alguém sentado ou deitado e levado por dois carregadores.

Paquebote. Carruagem fechada com cortinas na frente, de um só assento e varais, assento sobre duas rodas e puxada por dois cavalos.

Sege. Antiga carruagem com apenas duas rodas e um só assento, fechada na frente com cortinas.

Traquitana. Espécie de carruagem que difere da Sege em ter lança e assentar sobre quatro rodas.

Vitória. Espécie de carruagem de quatro rodas, descoberta e de dois lugares.

No Brasil, foi a partir de meados do século XVII que apareceram e foram entrando em uso de rotina as liteiras, as redes e serpentinas. A maioria nos maiores centros, como Rio de Janeiro, Recife, Salvador; porém foi somente em fins do século XVIII, talvez devido ao melhor sistema de pavimentação das ruas, que surgiram os primeiros veículos de roda, como a sege, a tranquitana, e mais além, os coches.

Os cocheiros destes veículos, normalmente de propriedade e uso particular, usavam libré agaloados de cor verde, com botões de metal e uma cartola alta, com tope ao lado, dando-lhes um aspecto solene e aparatoso, lembrando as cortes européias.

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História do Transporte Coletivo de São Paulo
De 1989 até hoje

No final de 1989 foi elaborado um Plano Trienal de Transporte e Tráfego, voltado, no que se refere ao transporte coletivo, para:

- A implantação de 23 corredores de transporte coletivo, baseado no PMTC de 1985, com a implantação de faixas e/ou pistas exclusivas em cerca de 80 ruas e avenidas;

- A inserção de novas tecnologias de veículos (ônibus com portas dos dois lados, ônibus a gás) e um novo método operacional para corredores (com operação à esquerda, ao longo dos canteiros centrais);

- A adoção de novo sistema de bilhetagem (catracas eletrônicas e bilhetes magnéticos);

- A elaboração de um novo Plano Municipal de Transportes e Tráfego - PMTT;

- A "Municipalização" do transporte coletivo (contratação das empresas por lotes de ônibus e remuneração pelo serviço prestado);

- A transferência da Gestão do sistema para a Companhia de Engenharia de Tráfego - CET, unificando a administração do tráfego e do transporte;

- A implantação de um serviço especial de ônibus, com tarifa diferenciada, destinado a absorver os usuários do transporte individual;

- O "Reescalonamento de Horários" das atividades urbanas, visando a redução dos volumes de veículos no sistema viário, nos períodos de pico.

Em 1990 foram abandonadas, por problemas diversos, as proposições sobre o novo modelo de bilhetagem e a transferência da Gestão do Transporte Coletivo para a CET.

Entre 1990 e 1991 algumas ações foram desenvolvidas: implantação do Corredor Vila Nova Cachoerinha - Rio Branco, operado por ônibus com portas dos dois lados; elaboração do Plano Municipal de Transportes e Tráfego - PMTT; implantação provisória da "Municipalização" em algumas empresas operadoras e criação de algumas linhas de Ônibus Especiais".

Apesar de amplamente discutido, o reescalonamento de horários não chegou a ser totalmente implantado.

O Programa dos Ônibus a Gás foi iniciado, com a instalação de um posto de abastecimento e a entrada de cerca de 60 ônibus.

No segundo semestre de 1990, as prioridades estabelecidas no Plano Trienal foram ultrapassadas pelo projeto "Tarifa Zero", propondo uma reforma tributária, com base no aumento da arrecadação do IPTU, que permitisse a gratuidade generalizada para os usuários do transporte coletivo. O Legislativo Municipal não aprovou esse projeto de lei tornando inviável a implantação desse modelo.

A proliferação dos ônibus clandestinos iniciou-se entre 1990 e 1991, quando a CMTC praticamente entrou em colapso operacional e as outras empresas não tiveram condições de expandir suas frotas para reequilibrar a relação oferta/demanda. Em 1992 foi lançada uma concorrência com o objetivo de regulamentar parte desse serviço.

Após a rejeição da "Tarifa Zero", a prioridade absoluta do setor transporte foi transferida para a "Municipalização" total do sistema, desvinculando a tarifa dos custos operacionais, através de subsídios fornecidos pelo Poder Público, modelo já consolidado, há décadas, na maior parte dos países desenvolvidos e já implantado em algumas cidades brasileiras, por exemplo, em Curitiba.

A "Municipalização" foi tornada realidade em janeiro de 1992, com a assinatura dos contratos de alocação de frotas e prestação de serviços por parte das empresas operadoras, incluindo-se aí a CMTC.

Em pouco tempo foram acrescidos, à frota então existente, cerca de 2000 ônibus.

A desvinculação das empresas às linhas (foi eliminada a figura da concessão ou permissão de operação em linhas ou áreas de atuação) fortaleceu significamente o poder de decisão da Prefeitura.

Até o segundo semestre de 1992, o subsídio à tarifa era, em média, cerca de 15%, compatível com o orçamento municipal. O nível geral do serviço prestado à população, na maior parte das linhas, estava bastante acima dos padrões usuais, mesmo para sistemas de transporte considerados bons para as cidades brasileiras, resultando no aumento dos custos operacionais do sistema, sem que fosse observado um acréscimo da demanda.

Ainda entre 1990 e 1991 foram realizados estudos visando a atualização do PMTC de 1985, que seriam consolidados sob a forma de um novo PMTC, compatibilizando as diretrizes municipais de transportes urbanos com o Plano Diretor do Município, então em fase de elaboração.

Como esse Plano Diretor não foi transformado em lei, substituindo o anterior, o novo PMTC não chegou a ser concluído. Os dados e informações fornecidos pela "O/D-87" atualizada, associados com os planos existentes (sobretudo o PMTC de 1985 e os estudos realizados em 1990 e 1991), deram origem ao PROGRAMA DE CORREDORES E TERMINAIS DE INTEGRAÇÃO, desenvolvido pela Companhia Municipal de Transportes Coletivos - CMTC.


CORREDORES DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
- CORREDOR PAES DE BARROS

- CORREDOR SANTO AMARO - 9 DE JULHO

- VILA NOVA CACHOEIRINHA - RIO BRANCO


CORREDOR PAES DE BARROS

É o mais antigo da cidade, com uma extensão de 3,4 Km. Foi construído em 1980 e localiza-se no início da Zona Leste, interligando as avenidas Luís Inácio de Anhaia Melo e Radial Leste.

Esse corredor possui apenas um pequeno terminal de integração (Vila Prudente), onde operam cinco linhas alimentadoras, de pequena demanda e uma linha tronco operada por tróleibus de média capacidade (Padron) com uma frequência de apenas 30 ônibus/hora, nos períodos de pico, que chegam até a Área Central.

No futuro deverá integrar-se com alinha Vila Madalena - Oratório, do Metrô; bem como com os outros corredores que estão sendo propostos.

CORREDOR SANTO AMARO - 9 DE JULHO

É o maior corredor de transporte coletivo de São Paulo e, sem dúvida, do País, com um volume de aproximadamente 250 ônibus/hora por sentido, no trecho mais carregado, nos períodos de pico, em dias úteis, o que lhe fornece uma capacidade de transporte de cerca de 25.000 passageiros/hora/sentido.

Liga a Zona Sul da cidade à Área Central, possuindo uma extensão de aproximadamente 14,6 km, dos quais 11 são segregados, sob a forma de canaletas centrais no eixo das vias, com pistas exclusivas nos dois sentidos.

Em sua área de influência residem cerca de 2.500.000 de pessoas, pouco mais de 25% da população do município, e consequentemente, o sistema Santo Amaro-9 de Julho é responsável por percentual idêntico da frota em operação e dos passageiros transportados.

O corredor pode ser dividido em trechos bastante distintos:

- Terminal Santo Amaro - Av. Adolfo Pinheiro; cerca de 3,6 km, sem segregação; onde observam-se os mais altos volumes de ônibus (550 ônibus/hora, apenas das linhas municipais regulamentadas, na Av. Adolfo Pinheiro) e as menores velocidades médias;

- Av. Santo Amaro; com aproximadamente 5,4 km, com canaleta exclusiva; com um volume de 250 ônibus/hora no pico (apenas das linhas regulares), no seu trecho mais carregado; apresenta baixa velocidade média dos ônibus, devida a existência de pontos de estrangulamento (paradas sem ultrapassagem) e falta de coordenação dos semáforos;

- Av. São Gabriel - Av. 9 de Julho; com 5,6 km de extensão e um volume, no pico de 230 ônibus regulares por hora, apresenta melhor desempenho que os outros dois trechos, devido a maior disponibilidade de espaço viário e a existência de coordenação semafórica.

VILA NOVA CACHOEIRINHA - RIO BRANCO

Esse corredor entrou em operação em fevereiro de 1991, representando a concretização de uma idéia antiga na área técnica de transportes, da operação à esquerda, com a conservação dos canteiros centrais e com a utilização de ônibus com portas de ambos os lados.

Em São Paulo, essa idéia foi considerada quando do planejamento do corredor Santo Amaro - 9 de Julho, em 1984 mas, devido à impossibilidade de ser modificada a frota necessária para as linhas do corredor (cerca de 500 ônibus, de vários tipos de linhas tronco e remanescentes), pois não poderia ser implantada a troncalização plena, foi adotado para o corredor o modelo tradicional, com operação à direita.

Como o futuro corredor Vila Nova Cachoeirinha - Rio Branco (recomendado desde 1983) possuiria uma pequena quantidade de linhas remanescentes, e como existia na CMTC uma frota disponível de ônibus Padron necessária para a operação de todas as linhas tronco, tornou-se possível a realização da antiga idéia.

O corredor possui uma extensão total de 11 km, do Terminal de Integração de Vila Nova Cachoeirinha até o terminal central do Largo do Paissandú, na Área Central. Apenas metade de sua extensão possui faixas exclusivas para ônibus ao longo das Avenidas Ordem e Progresso, Marquês de São Vicente, Rudge e Rio Branco.

O corredor pode ser considerado como de média capacidade, apresentando uma frequência horária no pico da manhã dos dias úteis, de 75 ônibus/hora nas linhas tronco, operadas unicamente por veículos Padron, com capacidade de 110 passageiros, o que define uma capacidade de transporte de 8.250 passageiros/hora/sentido.

Uma das inovações mais importantes foi a operação de embarque e desembarque ao nível do piso do ônibus, pois as paradas são elevadas (como nas estações dos sistemas sobre trilhos), diminuindo sensivelmente os tempos parados.

Como os acessos às plataformas são dotados de rampas com inclinação máxima de 8%, foi obtido um subproduto extremamente interessante: esse tipo de corredor permite o livre acesso de qualquer pessoa com deficiências físicas ao sistema de transporte urbano sem a necessidade de equipamentos ou veículos especiais. Dessa maneira, sem qualquer tipo de restrição ou tratamento paternalista, pessoas temporária ou permanentemente inválidas (bem como idosos, gestantes e usuários com crianças e pacotes) foram beneficiadas com o novo sistema.

No sistema Vila Nova Cachoerinha foi implementado um modelo operacional até então inédito em São Paulo: a criação de linhas tronco com origem a montante do Terminal de Integração, para linhas de grande demanda que utilizam um sistema viário favorável à operação com ônibus de mais alta capacidade. No modelo tradicional, todas as linhas com origem dos terminais de transferência são seccionadas nesse ponto.
Esse novo tipo de linha passa pelo terminal onde parte dos usuários que desejam deslocar-se para locais que não estão na área de influência da linha, podem passar para outras linhas tronco. Isso, além de dispensar a maior parte dos usuários do transbordo obrigatório, evita a sobre carga de terminal e permite a maior racionalização da frota, ao eliminar uma linha alimentadora.

Essa experiência apresentou resultados positivos e pode ser estendida a linhas de comportamento semelhante em outros sistemas integrados.


Fonte: Secretaria Municipal de Transporte

História do Transporte Coletivo de São Paulo 1975 a 1989


Em 1977, a CMTC, com base nesse plano, desenvolveu o programa de implantação do Sistema de Tróleibus para o Município, prevendo a implementação das recomendações do SISTRAN em cinco etapas.

A operação completa do Sistema Tróleibus era prevista para 1985.
No entanto, foram implantadas apenas a primeira etapa e parte da segunda, entre 1978 e 1982, totalizando sete linhas estruturais de tróleibus, porém sem a devida priorização no tráfego e sem os terminais de integração, ficando o desempenho operacional do novo sistema aquém do esperado.

Nesse período, a cidade vivenciou a concretização de vários projetos que alteraram significativamente a paisagem urbana do município, com as seguintes implantações:

- Sinalização de orientação da Av. Paulista (Projeto Cauduro);

- Programa de Orientação de Tráfego (POT);

- Semáforos Ordenados por Computador (SEMCO);

- Priorização do Transporte Coletivo nas Avenidas 9 de Julho e Celso Garcia (COMONOR);

- Plano SISTRAN (Programa de Tróleibus);

- Corredor Paes de Barros e

- Projeto PRÓ-USO (Sistema de Comunicação Visual unificado para toda a cidade).

Com base na constatação dos problemas e na experiência adquirida, a CMTC passou a elaborar uma série de estudos que deram origem, em 1983, ao Programa de Ação Imediata da Rede Metropolitana de Tróleibus - PAI.
Esse estudo reviu as prioridades para o sistema de transporte municipal e estabeleceu como premissas básicas:

- A racionalização operacional das linhas estruturais por meio da utilização de corredores exclusivos;

- A garantia da prioridade dos ônibus, no sistema viário, visando o aumento da velocidade média e o ganho de capacidade de transporte do sistema;

- A consolidação da operação de Sistemas Integrados, proporcionando aos usuários maior mobilidade, menores tempos de deslocamento, aumento de conforto e segurança, ao mesmo tempo em que esse tipo de operação resultaria na diminuição dos custos operacionais do sistema.

Os corredores escolhidos para serem construídos na primeira etapa de implantação do PAI foram:

- Santo Amaro - 9 de Julho
- Santo Amaro - Brigadeiro Luis Antonio
- Santo Amaro - Ibirapuera
- Rio Branco - Deputado Emílio Carlos

Além disso, era recomendado que fosse continuada a implantação do Sistema Tróleibus e a instalação, numa próxima etapa, de três novos corredores:

- Imirim
- Sapopemba e
- Sacomã

Todos esses corredores serviriam a sistemas integrados, estando prevista a construção de diversos terminais de transferência.

Durante os anos de 1983 e 1984 desenvolveram-se estudos relativos aos modelos operacionais e ao tratamento do sistema viário, para os corredores Santo Amaro - 9 de Julho e Rio Branco - Deputado Emílio Carlos.

Em 1985 iniciaram-se as obras do corredor Santo Amaro - 9 de Julho, praticamente ao mesmo tempo em que começou a elaboração do Plano Municipal de Transportes Coletivos - PMTC, que representou, em parte, uma síntese dos estudos e projetos elaborados à partir do SISTRAN, pois nele estavam contidas todas as proposições anteriores.

Antes de sistematizar todas as propostas existentes, o PMTC também compatibilizou o planejamento municipal com o metropolitano, abrangendo os vários modos de transporte (ônibus, Metrô e trens urbanos), e expandiu para toda a malha urbana o tratamento do sistema de corredores e de integração.

Esse Plano teve como objetivos gerais o detalhamento das intervenções que expressavam as diretrizes dos planos municipais e metropolitanos (Plano Diretor do Município de São Paulo e Plano Metropolitano de Transporte - PMT) e a definição das metas para o sistema de transporte coletivo municipal, no que tange à tarifação, reorganização das áreas e linhas das empresas contratadas (privadas), à continuidade do Programa Tróleibus, ao reequipamento da CMTC, à infra-estrutura viária e à comunicação social.

Dessa forma, o PMTC apresentou como meta a implantação de 23 corredores de transporte, associados a 28 terminais de integração, além de intervenções em vários níveis, objetivando garantir a regularidade e a confiabilidade do sistema proposto. Propôs ainda um novo modelo de contratação das empresas operadoras, por lotes de veículos e remuneração pelos serviços realizados.

Em 1987 iniciou-se, de forma incompleta, a operação do corredor Santo Amaro - 9 de Julho. Dos dois terminais de integração então em obras, apenas foi concluído o Santo Amaro. O Terminal João Dias, essencial para a troncalização plena das linhas do corredor, teve suas obras paralisadas.

Ainda em 1987 realizou-se a pesquisa domiciliar, conhecida como " O/D-87", pelo Metrô, visando a montagem de uma série histórica que permitisse a atividade permanente de avaliação e planejamento do sistema de transporte de toda a Região Metropolitana (sistemática iniciada com a primeira "O/D", realizada em 1967).

Fonte: Secretaria Municipal de Transporte

História do Transporte Coletivo de São Paulo 1947 a 1975


história do transporte coletivo de São Paulo pode ser dividida em 3 fases distintas:

-do início da operação da CMTC ao início da operação do Metrô (de 1947 a 1975);

-de 1975 a 1989;

-de 1989 até hoje.


1947 a 1975


A criação da CMTC e do Metrô constituem-se em dois eventos da maior importância dentro do contexto da história dos transportes públicos de São Paulo, ambos ligados ao Eng. Prestes Maia em dois períodos distintos frente à Administração Municipal da cidade.

Durante sua primeira gestão (1938 a 1945), Prestes Maia foi responsável por uma verdadeira revolução urbana, rasgando novas avenidas, cortando o centro, construindo viadutos e pontes que viabilizaram a integração de bairros e vilas, fazendo com que a cidade perdesse seu aspecto tímido e acanhado e passasse a apresentar novos conceitos ambientais.

Assim que assumiu a Prefeitura, criou, em fevereiro de 1939, a Comissão de Estudos de Transportes Coletivos do Município de São Paulo - CETC, incumbida de desenvolver um grande plano integrado e global de transportes urbanos, concebido em 1943. Essa comissão foi responsável pela elaboração de um recenseamento do transporte coletivo em todos os distritos em que se dividia a cidade, identificando os meios de locomoção utilizados. Realizou também, pesquisa do tipo sobe/desce nos ônibus e bondes, por faixa horária. Os resultados destas pesquisas foram cruzados com os números de habitantes dos distritos, assim como a origem e o destino dos habitantes.
Como a Light já tinha manifestado, em 1937, a sua intenção de não prosseguir na exploração dos serviços de bonde após 1941, quando terminava o prazo de sua concessão, a principal tarefa da CETC foi apresentar um plano que permitisse à Prefeitura assumir, monopolisticamente, a administração dos transportes públicos.

O início da 2a Guerra Mundial, em julho de 1939, fez com que, por solicitação do prefeito, a concessão da Light fosse prorrogada compulsoriamente e por tempo indeterminado. A liberação da Light ocorreu em dezembro de 1945, após o término da guerra.

Em agosto de 1946, todo o seu acervo passou a pertencer à CMTC que se encontrava em processo de organização, ficando a Light como uma das maiores acionistas, uma vez que o acervo foi adquirido com ações da nova companhia.

Ainda em 1946, a recém formada CMTC ampliou a frota original da Light por considerá-la insuficiente para iniciar a operação, fato este que ocorreu em 1º de julho de 1947. No final de 1949 passou a operar os primeiros tróleibus e adquiriu os primeiros 200 ônibus a diesel.

A situação de quase monopólio da operação do transporte público pela CMTC perdurou até 1957, quando as empresas particulares retornaram ao setor, operando linhas antes operadas pela empresa municipal.

A participação das empresas particulares no sistema de transporte municipal se deu de forma rápida e desordenada, fazendo com que por ocasião da suspensão do sistema de bondes, em 1968, a Prefeitura e a CMTC tentassem recuperar o papel de poder concedente, sendo então criada a Secretaria Municipal de Transportes - SMT.

Pode-se dizer que a década de 60 foi pródiga em eventos marcantes na área dos transportes públicos, pois, se por um lado sentenciou o fim dos bondes, por outro presenciou o nascimento do Metrô, sonho que o Engº Prestes Maia não pôde realizar na sua segunda gestão e que foi concretizado no segundo ano do mandato do seu sucessor, o também engenheiro Faria Lima, à partir da criação, em 31 de agosto de 1966, do Grupo Executivo do Metrô - GEM.
Coube ao GEM, viabilizar a elaboração do plano básico da rede estrutural do Metrô bem como estabelecer as prioridades, datando de 1967 a realização da primeira pesquisa domiciliar de origem e destino de viagens, a O/D 76.

Em 14 de abril de 1968, foi construída a Companhia do Metropolitano de São Paulo - Metrô, concebida à partir do GEM.

Na década de 70, visando dar continuidade à implantação de medidas para recuperar o papel do poder concedente, foi firmado em junho de 1977, pela Prefeitura, novo contrato de concessão com a CMTC, dispondo o Decreto nº 14.629 de 22 de junho do mesmo ano, sobre a contratação pela CMTC, de empresas particulares para operar o transporte coletivo de passageiros, nas 23 áreas em que foi dividida a cidade. Este mesmo decreto autorizava a SMT a criar, cancelar e alterar linhas.

O mesmo objetivo foi perseguido pela SMT na área de trânsito, sendo criada em 1976 a Companhia de Engenharia de Tráfego - CET, viabilizando a municipalização do trânsito.

Fonte: Secretaria Municipal de Transporte